Manifestação. 4 de novembro às 17h30 na sede da empresa Alves Ribeiro

LOCAL: Rua Sanches Coelho, 3F – LISBOA (ao pé do ISCTE)

DIA: 4 de novembro (sexta-feira)

HORA: 17h30


Leia a convocatória em formato de carta aberta de João Sousa, ativista climático do coletivo Alvorada da Floresta



CONVOCATÓRIA PARA MANIFESTAÇÃO


Chamo-me João Sousa, tenho 20 anos e sou ativista climático, defensor da Quinta dos Ingleses em Carcavelos através da Associação SOS Quinta dos Ingleses e do coletivo Alvorada da Floresta. E é pela defesa deste espaço que venho informar que, no dia 4 de novembro pelas 17h30, se irá realizar uma manifestação às portas da sede do Grupo Alves Ribeiro, localizada ao pé do ISCTE.

Esta manifestação pretende alertar para a iminente ameaça sobre os 52 hectares de área verde da Quinta dos Ingleses pelo megaempreendimento do PPERUCS (Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos Sul), agendado pela Câmara Municipal de Cascais e que será levado a cabo pela empresa de construção Alves Ribeiro, atual proprietária dos terrenos da Quinta dos Ingleses.

Desde a década de 1960 que se tenta construir na Quinta dos Ingleses, mas todas as tentativas tiveram uma forte oposição popular, que fez com que os projetos fossem sucessivamente adiados. Adiados e com novas alterações, mas nunca cancelados para dar por fim lugar ao parque urbano seminaturalizado que a crise climática atual e as populações exigem, como parte do movimento mundial pela transformação das cidades em modelos sustentáveis. A tentativa de construção mais recente, o PPERUCS, data de 2014 e nesta última década tornou-se cada vez mais evidente a importância de salvar os bosques urbanos, nomeadamente o da Quinta dos Ingleses, o último que resiste em toda a linha do Estoril.

Neste projeto, está prevista a construção de edifícios de luxo com 7 andares e zona comercial e turística altamente privatizada, o que irá arrasar grande parte do pinhal centenário, que absorve anualmente toneladas de CO2 da Marginal, ali ao lado. A Câmara Municipal de Cascais promove a ideia de que irá surgir um parque urbano com 8 hectares, mas esta reduzida "área verde" inclui arruamentos e relvados que dependem de rega intensiva, ao contrário da atual flora da Quinta dos Ingleses, bem adaptada à seca. O plano demonstra também a falta de sentido crítico face à sustentabilidade futura do projeto, numa região especialmente sensível a fenómenos climáticos, como cheias e erosão da linha da costa. Além de atenuar os efeitos destes fenómenos, o bosque minimizaria também o impacto de um tsunami sobre a povoação – afinal de contas, a região de Lisboa é de alto risco...

Apesar da enorme participação dos cidadãos na última consulta pública, a Câmara Municipal de Cascais continua insensível à sua vontade, desvalorizando sempre que pode as preocupações locais face à perda do último pulmão verde da região. Assim, a população de Carcavelos depende cada vez mais da sua voz e da força popular para travar de imediato os planos de desflorestação que poderão começar em breve.


Vamos manifestar-nos às portas da sede da Alves Ribeiro para:


  1. Exigir o cancelamento imediato do PPERUCS, projeto que implicará a destruição de um bosque centenário (e áreas verdes circundantes), essencial à minimização dos impactos das alterações climáticas e que possui um elevado valor histórico e cultural para a região.

  2. Demonstrar que é possível dinamizar um projeto realmente sustentável e democrático para a Quinta dos Ingleses, que revitalize a mesma e que a conecte de maneira simbiótica à praia de Carcavelos – um projeto que será um dos maiores parque urbanos costeiros da Europa!

  3. Exigir à Câmara Municipal de Cascais (atual candidata a capital europeia da democracia) que avance com os procedimentos necessários para que a Quinta dos Ingleses seja classificada como Paisagem Protegida de Âmbito Local e assim se possa recorrer aos fundos europeus disponibilizados para a proteção de espaços verdes, não só para desenvolver o parque urbano, mas primeiramente para pagar a indemnização aos proprietários, caso não seja possível negociar uma permuta de terrenos.

  4. Mostrar que a população está empenhada em proteger e revitalizar a Quinta dos Ingleses e que fará ouvir a sua voz pela preservação da mesma, custe o que custar.


Numa altura em que Portugal é bombardeado por novos projetos de licenciamento completamente desenquadrados da atual crise climática e financeira (especulação da costa alentejana, destruição das Alagoas Brancas no Algarve, expansão aeroportuária no Montijo, projetos de mineração no interior...), fica claro que os direitos dos habitantes locais destas regiões não estão a ser minimamente protegidos pelas autoridades ambientais estatais que, por definição, existem para defender o ambiente.

Esta manifestação faz parte de uma série de eventos simbólicos de proteção pela Quinta dos Ingleses que têm vindo a decorrer e que continuarão até que tenhamos um parque para todos.

A todos os que valorizam a qualidade de vida, a ligação à natureza, a importância das árvores e da praia apelamos à vossa presença, para que mais uma vez se unam esforços pela preservação da Quinta dos Ingleses. Nenhum projeto pode avançar sem o consenso da população local. Unidos pela causa conseguiremos salvar a Quinta dos Ingleses!


Nem mais um hectare de floresta perdido para o betão!!!!!