O cordão humano de 5 de junho no noticiário da SIC

"Manifestação contra projeto para a Quinta dos Ingleses. Realizou-se este sábado em Carcavelos, durante uma hora e meia, um cordão humano contra a construção de uma megaurbanização, já aprovada e prevista para a Quinta dos Ingleses. O cordão humano começou às 17h00, em três pontos distintos de Carcavelos.

Centenas de pessoas uniram-se para chamar a atenção da importância da preservação daqueles 52 hectares de vegetação, ameaçados pela edificação de apartamentos, hotéis e espaços comerciais.

O Movimento Cívico "SOS Quinta dos Ingleses", que organizou o protesto, diz que a área de prédios prevista será equivalente a mais de 12 vezes a da Praça do Comércio, em Lisboa.

A população quer manter a zona verde, salvaguardar a biodiversidade, proteger a praia tal como está e a prática do surf, além de continuar a permitir o livre acesso a todos.

A empresa Alves Ribeiro, que atualmente detém os direitos de construção, com licença até 2022, quer avançar com a obra prevista para a Quinta dos Ingleses: 850 apartamentos, em edifícios até 9 andares, 3 hotéis e zonas comerciais que vão reduzir para menos de 10 hectares os 52 em que agora ainda está um bosque centenário.

A Câmara Municipal de Cascais suspendeu por seis meses o projeto em curso mas diz que já não consegue travar a construção.

No momento da Consulta Pública, em abril, mais de 9 mil pessoas disseram que não ao loteamento previsto.

No Parlamento, o Bloco Esquerda, o PAN, o PCP e o PS aprovaram, recentemente, a recomendação para que aquela área do concelho de Cascais passe a ser protegida, podendo ali fazer-se um Parque Urbano, enquanto PSD e CDS se abstiveram.

Uma luta antiga, que remonta aos anos 60. Desde então, os moradores daquela zona têm feito o que podem para chamar a atenção.

Já alinhados no passeio da marginal, em frente ao mar, os participantes contaram com a 'colaboração' de muitos automobilistas, que transformaram o protesto num buzinão.

As mais de 500 pessoas que fizeram parte do cordão humano e que, devido à pandemia não puderam dar as mãos, trocaram palavras de ordem por aplausos, na esperança de que alguém os ouça." (SIC, sábado, 5 de junho de 2021)